Consumidor Bancário

O Direito Bancário, dentro do Direito do Consumidor, trata das relações entre você e as instituições financeiras: empréstimos, financiamentos, cartões de crédito, renegociações de dívida. É uma área onde lidamos com situações de grande pressão, como o risco de perder um veículo financiado por meio de uma ação de busca e apreensão, ou ter a conta bancária bloqueada por decisão judicial.

O contrato assinado tem força — e isso precisa ser dito com honestidade

Antes de qualquer coisa, é importante que você entenda um princípio que norteia todo o nosso trabalho nessa área: contrato assinado é, em regra, contrato que deve ser cumprido. Se você pegou um empréstimo, financiou um veículo ou um imóvel, você é devedor daquela obrigação — e isso continua verdadeiro mesmo que a situação financeira atual seja difícil ou indesejada. Não vamos te prometer que “vai sumir a dívida” ou que é fácil se livrar de um contrato só porque ele se tornou pesado para o seu orçamento.
Existem, sim, hipóteses em que o contrato pode ser questionado — quando há abusividade real, como cobrança de encargos não informados claramente, ou quando há venda casada, isto é, quando o banco condiciona a liberação do crédito à contratação de um seguro com a própria instituição ou com seguradora por ela indicada. O STJ entende, no Tema Repetitivo 972, que nos contratos bancários em geral o consumidor não pode ser obrigado a contratar seguro com a instituição financeira ou com seguradora por ela indicada — mas isso não significa que o seguro em si seja ilegal, apenas que você deve ter liberdade de escolha. Barbieri Advogados
É importante entender, ainda, que mesmo quando conseguimos reconhecer uma cláusula abusiva, isso normalmente leva a um reajuste do contrato — recalculando valores, removendo encargos indevidos — e não a um cancelamento automático da dívida. Você continua na relação contratual, só que com um valor mais justo. A exceção é quando você mesmo deseja romper o contrato antes do prazo; nesse caso, é essencial saber, desde o início, qual é o valor da multa contratual por quitação ou rescisão antecipada.

Busca e apreensão de veículo financiado

Quando há atraso no pagamento de um financiamento com alienação fiduciária (o modelo mais comum no financiamento de veículos), o banco pode pedir judicialmente a busca e apreensão do bem. Depois que o veículo é apreendido, você tem um prazo de cinco dias para pagar integralmente a dívida em atraso e reaver o carro, ou um prazo de quinze dias para apresentar defesa questionando o procedimento ou eventual abusividade nos valores cobrados. Se nenhuma dessas medidas for tomada dentro do prazo, a propriedade do veículo se consolida em nome do banco, e ele pode vendê-lo para quitar a dívida.
Por isso, ao primeiro sinal de atraso ou de notificação do banco, o ideal é buscar orientação imediatamente — quanto antes agirmos, maiores as chances de preservar o bem ou negociar uma solução viável.

Bloqueio judicial de conta bancária

Em processos de cobrança, é comum que o banco ou outro credor peça ao juiz o bloqueio (penhora) de valores na sua conta para garantir o pagamento da dívida. Quando isso acontece, analisamos se o bloqueio foi feito corretamente — por exemplo, se atingiu valores que a lei protege, como salário ou benefícios de natureza alimentar — e buscamos a solução mais rápida possível para desbloquear o que for indevido ou negociar a quitação do que for, de fato, devido.

Superendividamento: um caminho com pouco resultado prático em São Paulo

A lei de superendividamento existe e prevê, em tese, um processo de repactuação de dívidas com todos os credores ao mesmo tempo. Na prática, porém, no Estado de São Paulo, esse caminho ainda tem se mostrado pouco efetivo. Por isso, preferimos ser realistas com você: na maioria dos casos, os caminhos que realmente funcionam são a renegociação direta com o banco e o reajuste contratual nos pontos em que houver abusividade comprovada — e é nessa direção que concentramos nossos esforços.

Como podemos te ajudar

Se você está com um financiamento em atraso, recebeu notificação de busca e apreensão, teve a conta bloqueada ou simplesmente precisa entender melhor as condições do seu contrato bancário, fale com a gente. Vamos analisar seu caso com transparência: o que pode ser revisado, o que precisa ser pago, e qual é o caminho mais rápido para resolver sua situação com o menor prejuízo possível.

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